Coluna Diamante

Extensão do Jornal Delfos-CE: http://jornaldelfos.blogspot.com.br/
O nome Diamante é por conta do primeiro livro impresso no mundo, o Diamante-Sutra, sem o qual não existiria a impressão como a conhecemos hoje em dia.

quinta-feira, 16 de abril de 2015

10 DESCOBERTAS EVOLUCIONÁRIAS IMPORTANTES E RECENTES

10 DESCOBERTAS EVOLUCIONÁRIAS IMPORTANTES E RECENTES


10 importantes descobertas evolucionárias recentes


A teoria da evolução via seleção natural transformou completamente o mundo da ciência 150 anos atrás, e suas ramificações abalaram todos os aspectos da vida, incluindo a política e a religião.

Na biologia, a teoria da evolução tem a mesma aceitação que a teoria de que a Terra orbita o sol, na astronomia. Ainda assim, ela causa bastante discussão entre os leigos.

Apesar da realidade da evolução ser bem conhecida, existem muitos detalhes a se descobrir quando pensamos nos 3,5 bilhões de anos de história evolutiva. Aqui estão as descobertas da última década que estão ajudando a ciência a completar esse quadro:

10. Supergenes de borboleta


A borboleta amazônica Heliconius numata era um mistério para os biólogos e geneticistas.

Essa borboleta aparece em sete padrões de manchas diferentes, usados para espantar os predadores, e cada padrão resulta de uma combinação de vários genes diferentes. Quando duas borboletas de padrões diferentes procriam, os genes são recombinados e os padrões deveriam se misturar em poucas gerações. Mas não era isto que estava acontecendo.

Uma equipe de biólogos britânicos e franceses descobriu em 2011 a presença do que eles chamaram de supergene, um grupo de dezoito genes que são passados para a próxima geração como um bloco único.

Em vez de ter uma mistura de genes de cada um dos pais, as borboletas herdam um supergene recessivo ou dominante, permitindo que a característica completa seja passada.
9. Humanzé


O fato de que os chipanzés são nossos “parentes” mais próximos na natureza provocou especulações nos últimos cem anos sobre a possibilidade de ser feito um animal híbrido.

Até mesmo houve um animal chamado Oliver, que se acreditava ser este híbrido, mas na verdade era um chipanzé com alguns traços assemelhados aos humanos.

No lado da ciência, uma análise genética de 2006 sugeriu que os ancestrais humanos e chipanzés continuaram a cruzar por um período de 1,2 milhões de anos depois da separação das espécies, 6,3 milhões de anos atrás.

O interessante é que este achado também ressuscita uma das ideias de Darwin, a de que a separação de espécies não era um evento abrupto, mas sim lento – e por um bom tempo um híbrido das duas espécies ainda poderia ser viável.
8. Morcego velho


Os morcegos são a segunda maior ordem de mamíferos, representando um quinto de todas as espécies. São os únicos mamíferos que desenvolveram o voo e que podem usar ecolocalização em um nível sem precedentes.

Estas duas características são bem antigas, e geraram um mistério na biologia – qual delas surgiu primeiro?

Um par de fósseis descobertos no Wyoming, em 2003, tem muitas características estranhas. Os Onychonycteris finneyi encontrados possuem garras com cinco dedos, contra os dois dedos encontrados nos morcegos modernos. Sua característica mais interessante, porém, é que eles conseguiam voar sem ter desenvolvido a ecolocalização. Os espécimes de 52 milhões de anos terminaram com décadas de especulação entre os cientistas.
7. Tiktaalik


Uma das mais profundas transições na história da vida deu-se quando as espécies deixaram a água e passaram a deslocar-se em terra.

Os tetrápodes, primeiras criaturas a se arrastar da água, supostamente teriam evoluído de peixes com barbatanas lobadas, como o celacanto. Mas por muito tempo faltou uma evidência que mostrasse como as nadadeiras macias começaram a se tornar membros com ossos, uma transição que teria ocorrido entre 400 e 350 milhões de anos atrás.

O Tiktaalik, descoberto em 2004 em Nunavut, no Canadá, mudou tudo isto. Foi o primeiro fóssil de um animal que ainda era peixe, mas que apresentava os primeiros sinais de dedos, pulsos, cotovelos e ombros. É um fóssil transicional por excelência.

Outra característica interessante do Tiktaalik é que se trata de uma previsão da teoria da evolução que foi comprovada em campo: os biólogos apontaram que a transição deveria ter se dado naquele período e o Tiktaalik foi encontrado em um terreno com aquela idade.
6. Piolhos


Piolhos são parasitas altamente especializados e adaptados: eles usam garras para se prender aos pelos de seus hospedeiros, de forma que, se ele se modificar em outra espécie, o piolho segue a mudança.

Esta precisão na especiação dos piolhos significa que suas árvores familiares baseadas em DNA podem ser datadas precisamente com apenas alguns poucos fósseis para funcionar como âncoras.

O mapeamento do DNA dos piolhos foi feito por uma equipe de pesquisadores do Museu de História Natural de Londres, com implicações importantes no nosso conhecimento da evolução de aves e mamíferos.

Os pesquisadores descobriram que os piolhos das aves e dos mamíferos começaram a se diversificar antes da extinção dos dinossauros, sugerindo que, contrário à teoria prevalente, os principais grupos de mamíferos se formaram antes da extinção dos dinossauros. Uma explicação alternativa, mas também incrível, é a de que nossos piolhos vêm de uma linhagem que já esteve acostumada a se alimentar de sangue de dinossauros.
5. Ameba gigante


O bilateralismo ou simetria bilateral é uma das características mais antigas no reino animal: você pode dividir ao meio tudo desde planárias a tubarões a elefantes e descobrir que um lado é igual ao reflexo do outro no espelho e tem, na maior parte, as mesmas coisas de um e de outro lado.

A data exata que esta característica chave surgiu tem sido assunto de especulação, e as melhores evidências que temos para isto são trilhas feitas em solo marinho com 550 milhões de anos. Acreditava-se que somente criaturas com simetria bilateral podiam criar trilhas em linha reta.

Entretanto, em 2007, pesquisadores da universidade do Texas (EUA) descobriram, enquanto mergulhavam na costa das Bahamas, uma ameba de 2,5 cm, movendo-se no solo marinho. O animal possuía um núcleo cheio de água que o ajudava a manter a sua forma, e deixou trilhas similares às trilhas fósseis, sugerindo que o bilateralismo deve ter surgido dezenas de milhões de anos depois do que se pensava.
4. Projeto genoma Neandertal


Os Neandertais são a espécie mais próxima de nós. Evidências sugerem que eles eram tão inteligentes quanto os humanos, porém mais fortes. Também tinham muitos aspectos de cultura desenvolvidos antes de extinguirem-se, menos de 30.000 anos atrás.

Por eles terem desaparecido tão recentemente, foi possível isolar seu DNA. Uma equipe de cientistas do Instituo Max Planck, da Alemanha, publicou em 2010 uma sequência do genoma Neandertal menos de uma década após ter completado o mapeamento do genoma humano.

O fato de 1% do nosso genoma se assemelhar ao genoma Neandertal indica que pode ter havido cruzamento entre as duas espécies. Entretanto, um trabalho publicado em 2012 sugere que um ancestral comum é a origem destes genes compartilhados.
3. O bebê de Lucy


O ancestral humano fóssil mais famoso é provavelmente Lucy, um esqueleto (na verdade, 40% de um esqueleto) de 3,2 milhões de anos de um Australopithecus afarensis encontrado em 1974. Era, na época, o mais antigo fóssil existente do tempo em que já havíamos nos separado de nosso ancestral comum com os chipanzés.

Entretanto, a fama de Lucy foi eclipsada pela descoberta, em 2006, de um outro fóssil de A. afarensis. O novo fóssil, provavelmente de uma fêmea, morreu com a idade aproximada de três anos, o que o torna extremamente raro. Outro fator que o torna mais raro ainda é o fato de estar bem mais completo que Lucy.

Apesar de ser dezenas de milhares de anos mais antigo que Lucy, o esqueleto recebeu o apelido de “o bebê de Lucy”, e consta de um crânio bem preservado, dentes-de-leite, dedinhos, um torso, um pé e uma patela não maior que uma ervilha.
2. O ancestral mais antigo


Já que estamos falando de Lucy deixando de ser o fóssil mais importante, vamos falar de Ardi, um fóssil que roubou de Lucy o título de mais antigo ancestral provável da espécie humana em 2009.

Ardi era uma fêmea de 50 kg com cérebro pequeno anterior a Lucy em mais de um milhão de anos. Ela foi encontrada com os restos de trinta e seis outros indivíduos.

Na verdade, Ardi foi encontrada em 1994, mas só em 2009, depois de uma década e meia de análises, que as implicações do fóssil foram conhecidas, e ele passou a ser conhecido como parte de uma nova espécie, oArdipithecus ramidus.

Desde o tempo de Charles Darwin popularizou-se a noção que o ancestral comum entre nós e os chipanzés seria parecido com um chipanzé, mas os chipanzés tiveram tanto tempo para se modificar quanto nós tivemos, e não há nenhuma razão real para imaginar que nosso ancestral comum seria mais próximo de qualquer um dos dois animais.

Ardi veio para liquidar com essa ideia antiga. Ela apresenta uma inesperada mistura de traços tanto avançados quanto primitivos, diferente de chipanzés ou gorilas. Como disse o anatomista Owen Lovejoy, que analisou partes de Ardi, ela mostra “um estágio intermediário vasto em nossa evolução que ninguém conhecia”.
1. DNA “lixo”


Quando o primeiro resultado do projeto genoma humano foi apresentado em 2000, 97% das 3,2 bilhões de bases na sequência pareciam não ter nenhuma função aparente. A função primária do DNA é fornecer o projeto de proteínas, informação que é armazenada nos genes, mas estes constituem apenas 3% de uma amostra de DNA.

As sequências de DNA que não codificavam proteínas já eram conhecidas desde 1972, e a descrição “lixo” tinha sido cunhada naquela época. Mesmo o ganhador do Nobel Francis Crick, codescobridor da dupla-hélice, havia afirmado que a maior parte da chave para a vida era “pouco mais que lixo”.

Em setembro de 2012, o projeto internacional Encode publicou um mapa de quatro milhões de chaves encontradas no DNA lixo, chaves que regulavam os genes que codificavam proteínas. 80% da sequência de DNA, portanto, pode ter algum tipo de função bioquímica.

Menos de meio anos depois destes resultados, as mudanças já estão aparecendo: cientistas do Instituto de Tecnologia em Massachusetts (EUA) identificaram uma porção do DNA não codificante que é fundamental ao desenvolvimento de células cardíacas, e outros cientistas descobriram que mutações no DNA não codificante podem ser a chave que causa o câncer de pele.

Estas duas descobertas têm possíveis aplicações médicas e os cientistas estão apenas começando a investigar o DNA não codificante. [Listverse]