Coluna Diamante

Extensão do Jornal Delfos-CE: http://jornaldelfos.blogspot.com.br/
O nome Diamante é por conta do primeiro livro impresso no mundo, o Diamante-Sutra, sem o qual não existiria a impressão como a conhecemos hoje em dia.

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

POLÍCIA INTIMIDA ESTUDANTES EM ESCOLAS OCUPADAS EM SÃO PAULO-SP




POLÍCIA INTIMIDA ESTUDANTES EM ESCOLAS OCUPADAS EM SÃO PAULO-SP

Atividades policiais suspeitas intimidam estudantes em escola ocupada em Perus
Por Cida de Oliveira, da RBA 


Sem ordem judicial, Polícia Científica tenta entrar em ocupação na zona oeste e faz imagens para registrar supostos danos ao patrimônio

Policiais tentam entrar em escola ocupada, sem ordem judicial, com pretexto de periciar danos eventuais

São Paulo – Uma viatura da Polícia Científica esteve na manhã de hoje (1º) na Escola Estadual Gavião Peixoto, em Perus, zona oeste da capital. De acordo com um dos dois oficiais, um deles com uma máquina fotográfica, que fez algumas imagens, estavam ali por ordem do delegado de polícia da região.

A ordem, sem mandado algum assinado por juiz, era averiguar danos ao patrimônio público, conforme denúncia recebida. Eles insistiram para entrar na escola ocupada e pediram nomes e documentos de estudantes. Os alunos, porém, não abriram o portão da escola. Depois de alguma insistência, e sem serem atendidos, os policiais foram embora.

Silvana Marques, moradora de Perus e professora da rede municipal que diariamente vai ao portão da ocupação em apoio aos estudantes, questionou a presença dos agentes. "Eles disseram que não estavam ali para fazerem reintegração e nem fazer prisões, apenas conferir danos ao patrimônio", disse a professora, que questionou ainda as razões de não vir a Polícia Científica acompanhada da Polícia Militar.

Os estudantes e outros professores, do lado de fora da ocupação, chegaram a sugerir que os danos ao patrimônio da escola podem ser a quadra, desativada há anos, sem condições de uso, ou os banheiros, que foram lavados recentemente, desde que a escola foi ocupada.

No último final de semana, três alunos da ocupação foram levados por policiais para o batalhão da Polícia Militar, em Perus, onde foram agredidos. Na ocupação, o medo é grande. Integrantes do conselho tutelar estiveram ontem na escola ocupada.
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Invasões e abusos da PM aumentam a tensão em escolas ocupadas

por Redação da RBA

Alunos e entidades denunciam que grupos arregimentados por representantes da secretaria de Educação, com apoio policial, invadem escolas ocupadas, à revelia da Justiça 

KATIA PASSOS/HENRIQUE CARTAXO/JL

Policiais militares invadiram hoje (1º) ilegalmente a Escola Estadual Maria José, na Bela Vista

São Paulo – A manhã de hoje (1º) começou com o acirramento das tensões entre estudantes que ocupam as escolas em protesto contra a reorganização pretendida pelo governo de Geraldo Alckmin (PSDB) e grupos arregimentados pelo governo estadual compostos por diretores, pais e também alunos contrários à mobilização, apoiados pela PM, que tentam invadir as unidades ocupadas.

Na escola Maria José, na Bela Vista, zona central de São Paulo, após a visita do chefe de gabinete da Secretaria Estadual de Educação, Fernando Padula, um grupo forçou a entrada na escola, arrombando os portões. A PM foi chamada e colaborou com a invasão ilegal, atacando os estudantes da ocupação com spray de pimenta. Relatos que chegam à RBA dão conta inclusive da participação de policiais no arrombamento de um dos portões.

Situação similar ocorre na escola Octávio Mendes , em Santana, zona norte da capital, de acordo com o coletivo Jornalistas Livres. Os estudantes ocupados afirmam que desde o início da manhã "grupos de direita" fazem pressão para adentrar às dependências da escola. A PM também permanece no local.

Estudantes também realizaram protesto na ponte João Dias, na zona sul de São Paulo, e foram reprimidos pela PM. Um professor, um estudante e um jornalista foram detidos e levados ao 92º DP, no Parque Santo Antônio.



Em outra situação denunciada pelo Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), a escola República do Suriname, na zona leste, foi desocupada ilegalmente na manhã de hoje pela diretora da unidade, acompanhada de supervisores e grande escolta policial.



Também segundo o sindicato, outra situação de abuso ocorreu durante a noite de ontem (30), em Osasco. A escola Coronel Sampaio foi invadida, saqueada e incendiada, e a PM, que estava nas imediações por causa da ocupação, nada fez para impedir e ainda lançou bombas de gás lacrimogêneo contra os estudantes, deixando dois feridos, um deles também intoxicado pela fumaça.
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Apeoesp denuncia que policial militar atirou contra escola ocupada na madrugada de hoje

Militantes contra reorganização afirmam que “provocadores” têm chegado às escolas para criar confusão e justificar entrada da PM. Alunos da zona norte foram agredidos com bombas de gás
por Sarah Fernandes, da RBA publicado 01/12/2015 14:25

Hoje, um grupo de pelo menos 70 estudantes da zona norte da capital fechou a Marginal Tietê na altura da Ponte do Piqueri

São Paulo – O Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) denunciou que um policial militar disparou tiros contra a escola estadual Joaquim Adolfo, localizada em Interlagos, na zona sul da capital, durante a ocupação do prédio, que ocorreu na madrugada de hoje (1º), em resposta ao projeto de “reorganização” da educação paulista, que prevê fechar pelo menos 93 instituições de ensino e transferir compulsoriamente 311 mil alunos. Membros do Conselho Tutelar e representantes da Defensoria Pública foram avisados.

“Era de madrugada e os estudantes estavam ocupando a escola. Nós acompanhávamos dando apoio. A polícia chegou da maneira mais agressiva possível e um dos oficiais deu um disparo contra a ocupação”, diz o diretor da Apeoesp Pedro Paulo Vieira de Carvalho. Apesar do ataque, a ocupação continua. “Isso é culpa do governo de Geraldo Alckmin, que na reunião de domingo (com diretores de ensino) incitou a violência.”

Na manhã de domingo, pelo menos 40 dirigentes de ensino do estado se reuniram com o chefe de gabinete do secretário de Educação, Herman Voorwald, Fernando Padula Novaes, e receberam instruções de como quebrar a resistência de alunos, professores e funcionários. Novaes repetiu inúmeras vezes que se trata de "uma guerra", que merece como resposta "ações de guerra" e que "vai brigar até o fim”. O áudio foi publicado pelo coletivo Jornalistas Livres.

Hoje, um grupo de pelo menos 70 estudantes das escolas Silvio Xavier e Martin Egídio Damy, na Vila Brasilândia, zona norte da capital, realizaram um ato contra o fechamento das escolas e fecharam a Marginal Tietê, na altura do Ponte do Piqueri. “Havia um efetivo policial muito grande, além dos oficiais à paisana, que são muitos. Em um dado momento, eles começaram a forçar a saída dos estudantes e jogaram bombas de gás lacrimogêneo. Um PM arrastou um estudante, deu um soco em outro e um soco no meu braço”, conta a professora Flavia Bischain.

Militantes de movimentos que defendem a educação denunciam que começaram a chegar nas escolas ocupadas os chamados “provocadores”, supostos pais e diretores que criam confusão nos prédios, para justificar a entrada da polícia nas escolas. 


No colégio Maria José, na Bela Vista, zona central de São Paulo, após uma visita de Novaes, um grupo não identificado forçou a entrada na escola, arrombando os portões. A PM foi chamada e colaborou com a invasão ilegal, atacando os estudantes da ocupação com spray de pimenta, segundo relatos obtidos pela RBA. O presidente da União Municipal dos Estudantes Secundaristas de São Paulo (Umes), Marcos Kauê, foi imobilizado pela polícia. Assista ao vídeo aqui.

Em Guarulhos, a mãe de duas alunas da escola Alice Chuery, Maria Claudia Fernandes, denunciou que a diretora da instituição, aliada à direção da escola Frederico de Barros Botero, postou nas redes sociais mensagens que demonstravam uma articulação para organizar ações de desocupação nas escolas.

O governo Alckmin justificou o fechamento alegando que vai reunir apenas alunos do mesmo ciclo – fundamental 1 e 2 e médio – nas escolas e com isso melhorar a qualidade do ensino. Professores e estudantes temem que as mudanças levem à superlotação de salas, demissão de docentes e à redução de salários decorrente da redução de jornada. Além disso, a Apeoesp acredita que o número de escolas a serem fechadas será muito maior.

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