Coluna Diamante

Extensão do Jornal Delfos-CE: http://jornaldelfos.blogspot.com.br/
O nome Diamante é por conta do primeiro livro impresso no mundo, o Diamante-Sutra, sem o qual não existiria a impressão como a conhecemos hoje em dia.

segunda-feira, 16 de abril de 2018

NÃO SEJA UM PATO! VOTO NÃO É BRINQUEDO!


NÃO SEJA UM PATO! VOTO NÃO É BRINQUEDO!

Esta lenga lenga de que "todo político é ladrão", "não existe esquerda no Brasil", "vamos anular a eleição" só serve mesmo para ajudar à extrema-direita, basta lembrar que o candidato Dória se elegeu em São Paulo com menos votos do que os votos que foram anulados para ver que é uma grande falácia.

Voto nulo também não anula eleição, e não importa se o mundo está voltado para a direita, podemos fazer o que a França fez atualmente, votar no candidato menos de direita possível. É outro exemplo claro de que o establishment pode ser domado com a força do povo unido.

O tal "voto de protesto" também não serve para nada além de eleger candidatos inúteis de extrema-direita que nada fazem pelo povo. Não caia nessa, não seja mais um pato arrebanhado pela Fiesp.

Poeta da Democracia
16/04/2018

sábado, 14 de abril de 2018

HOMENAGEM AO GRANDE LULA

HOMENAGEM AO GRANDE LULA

Fica aqui nossa singela homenagem ao maior líder político da história do Brasil, Luis Inácio Lula da Silva

Músicas: Mordaça - compositores e intérpretes: Eduardo Gudin / Paulo César Pinheiro Pesadelo - Composição: Maurício Tapajós / Paulo César Pinheiro

Intérpretes no vídeo: Joyce - Álbum: Passarinho Urbano (1976) Daíra Saboia - Álbum: Flor

Voz: Chico Pinheiro

Edição: Jorge Azevedo

segunda-feira, 9 de abril de 2018

PLANO DE CARGOS E CARREIRAS DO GOVERNO FEDERAL: GESTÃO DE PESSOAS

https://colunadiamante.blogspot.com.br/2018/04/plano-de-cargos-e-carreiras-do-governo.html
PLANO DE CARGOS E CARREIRAS DO GOVERNO FEDERAL: GESTÃO DE PESSOAS
José Aroldo Gonzaga Arruda Filho 
Historiador Pós-Graduado em Gestão Escolar

Trataremos aqui do Plano de Cargos e Carreiras do Poder Executivo Federal, pelo artigo “A organização de Carreiras do Poder Executivo da Administração Pública Federal Brasileira – O papel das Carreiras Transversais” de Aldino Graef e Maria da Penha Barbosa da Cruz Carmo.

PCC em questão teve como base o decreto-Lei 200, de 1967, sendo um instrumento de reorganização dos quadros de pessoal da administração pública federal. 

Em 1970 é aprovada a Lei nº 5.645, que, segundo Santos (1996) é um marco de uma nova fase tecnicista a fim de classificar e organizar os cargos civis da União e classifica os grupos por correlação e afinidade, natureza de trabalho, nível de conhecimento, categorias funcionais, e cargos.

Apesar de esse modelo ter separado as atividades de comando administrativo das técnico-administrativas, o que deu uma flexibilidade maior sobre quem ocuparia tais cargos, não separou o comando administrativo do Estado do comando político; o que causa desmotivação devido às nomeações não ocorrerem por mérito e sim por indicação.

Isso continua se reproduzindo em todos os segmentos da administração pública com os cargos de confiança em que a confiabilidade pessoal atropela totalmente a questão da competência sendo um inquestionável meio de enorme nepotismo em que a competência de quem é contratado não é levado em conta.

Foram criadas várias segmentações de funções transversais em cada órgão como médico, enfermeiro, etc, na saúde, categorias diversas dentro da engenharia, da educação, de capacitação, etc. A Lei 5.645/ 70 foi alterada pela Lei nº6.335 de 1976 e nº6.856 de 1890 (Santos-1996) com a importância de criar atividades apenas do Estado como; Procuradoria da Fazenda (1984), Auditoria do Tesouro (1985) e Polícia Federal. Dentre todos esses a PF e o Ministério Público são os de fato mais atuantesprincipalmente após esses últimos 2 governos em que a Polícia Federal ficou de fato independente, mas atualmente os setores da atual oposição tentam tirar grande parte da verba empregada para esta, o que sem sombra de dúvidas atrapalharia nas investigações atuais da tal crise política em que vive o nosso Brasil.

relatório Rouanet (1982-ainda ditadura militar) que ajudou na reforma administrativa na redemocratização (a partir de 1986) resultou na criação de concursos públicos para cargos efetivos, meritocracia, o que é mais justo do que os meros apontamentos, mas, no fim, os apontamentos e as fraudes continuam acontecendo, tanto a nível nacional quanto estadual e municipal, inclusive nas seleções também há muita corrupção envolvida que não vai acabar tão cedo. 

A partir de 1967 com o decreto 200 há um investimentos em tecnologia e isso hoje em dia deveria aumentar mais ainda, principalmente em questão de diminuir a papelada, substituindo-a pela digitalização de documentos, o que reduziria drasticamente a burocracia e com isso aumentaria consideravelmente a eficácia e a eficiência de todo o sistema político e jurídico brasileiro. 

descentralização é uma tendência ainda na administração brasileira, o que em tese deveria reduzir a burocracia, mas no nosso caso aumenta porque é uma descentralização desenfreada de modo que muitas funções se confundem e as administrações não costumam dar continuidade ao que as anteriores iniciaram, o que é mais trágico porque isso em si já tira a eficácia de qualquer sistema.

Deveria haver um plano firme de desburocratização do sistema público brasileiro, aí sim as reformas seriam mais rápidas e as coisas poderiam ser aprimoradas continuamente.
______________________________________________________Trabalho de Pós-Graduação em Gestão Escolar no ano de 2016

domingo, 8 de abril de 2018

TEORIAS CIENTÍFICAS E PRÁTICAS SOBRE APRENDIZAGEM: DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA E DO JOVEM

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TEORIAS CIENTÍFICAS E PRÁTICAS SOBRE APRENDIZAGEM: 
DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA E DO JOVEM

José Aroldo Gonzaga Arruda Filho 
Historiador Pós-Graduado em Gestão Escolar

  • TEORIAS DA APRENDIZAGEM E SUAS PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS:

1-Behaviorismo: Ivan Pavlov, John B. Watson, Edward Thorndike, Burrhus Frederic Skinner. 

Animismo => teoria filosófica que considera a alma como causa primária de todos os fatos intelectuais e vitais.

Behaviorismo => (do Inglês behaviour, comportamento) restrição da Psicologia ao estudo objetivo dos estímulos e reações verificadas no físico, com desprezo total dos fatos anímicos.

As principais características do Behaviorismo são: desprezar a teoria do animismo, sendo assim empirista, focar no estímulo induzido em detrimento do estímulo natural, reforço positivo e negativo, repetição e controle do ambiente para que o feed fosse melhor efetivado.

2- Teorias de transição entre behaviorismo clássico e o cognitivismo.

Cognição => aquisição de um conhecimento filosófico; conhecimento; compreensão.

Robert Gagné => abordava a parte interna da aprendizagem (autput), que é influenciada pelo ambiente externo (input). Dividia os eventos internos em fasesmotivação, apreensão, aquisição, retensão, rememoração, generalização, desempenho e retroalimentação.

Edward Tolman => focava na meta, que seria mais importante do que a recompensa. A meta deveria ser lembrada repetidas vezes aos estudantes para alçar melhores respostas.

Gestalt => "o todo é mais do que a soma de suas partes". Há uma preocupação em causar insights. Formula a Lei da Pregnância ( do Alemão Prägnanz), onde diz que o cérebro aprende por um sistema simples, simétrico e ordenado, e também por similaridade, fechamento e continuidade. Para Norwoo Russel Hanson a observação e a interpretação não podem ser separadas. Criadores da Gestalt: Max Wertheimer, Wolfgang Höhler e Kurt Koffka.

3- Teorias cognitivas => Brunner, Piaget, Asubel, Novak, Kelly e Rogers.

Jerome Bruner =>  foca em repetição (espiral) e na descoberta, mais depois revisa as próprias teorias e prega o ensino das disciplinas no contexto dos problemas sociais e diz que a melhoria na educação por ser política não resulta somente de um bom currículo.

Jean Piaget => assimilação e acomodação. Para ele a mente em equilíbrio sofre um rompimento (acomodação) e cria novos esquemas de assimilação para reequilibrar, quando ocorre então o aprendizado.

David Ausubel +> foca naquilo que o estudante já sabe (subsunçor), que seria tomado por base para o armazenamento de informações hierárquicos e não-arbitráriosuma aprendizagem significativa.

4- Teorias humanistas

Construtivismo => ação construidora; doutrina estética da época de 1920 que se opõe à escultura tradicional, usando adornos de linhas e planos envolvendo o vazio interior.

"Construtivismo é uma das correntes teóricas empenhadas em explicar como a inteligência humana se desenvolve partindo do princípio de que o desenvolvimento da inteligência é determinado pelas ações mútuas entre o indivíduo e o meio.

A ideia é que o homem não nasce inteligente, mas também não é passivo sob a influência do meio, isto é, ele responde aos estímulos externos agindo sobre eles para construir e organizar o seu próprio conhecimento, de forma cada vez mais elaborada.

A palavra construtivismo se refere a uma série de correntes de pensamento em diferentes áreas do conhecimento (cada uma delas não tem necessariamente relação com as outras):


Na educação, o construtivismo é uma teoria a respeito do aprendizado.

Na filosofia, o construtivismo é uma corrente surgida como uma crítica ao realismo medieval e aoracionalismo clássico.


Na história da arteliteraturapinturadesign gráfico, e da arquitetura, o construtivismo é uma tendência estética iniciada na Rússia a partir de 1919, que valoriza a construção da obra de arte em oposição à composição.

construtivismo também é uma corrente de pensamento nas ciências políticas e na teoria das relações internacionais."



Carl Rogers => Há de haver empatia entre professor e estudante para que haja crescimento pessoal. O estudante deve ser compreendido em vez de avaliado e o professor seria um facilitador.

George Kelly => foca na idiossincrasia. O conhecimento formal deveria ser apresentado como hipotético.

5- Teorias socioculturais 

Vygotsky => zona de desenvolvimento proximal, o professor atuando como mediador, direta ou indiretamente, leva o estudante a desempenhar tarefas que não eram possíveis anteriormente. O desenvolvimento mental é a parte principal da educação.

Paulo Freire => focava na hierarquia horizontal, onde estudantes e professores debateriam a partir de palavras-chave que tivessem a ver com a vivência social dos próprios estudantes, criando assim conteúdos com significado real e elevando a crítica político-social das comunidades.

6- James V. Wersche => espelha-se em Vigotsky, estendendo sua teoria sociocultural de zona de desenvolvimento proximal. Influenciado pela trans-linguística de Bakhtin e pelo dramatismo de Burke, entende o homem como "produto do meio" e "filho de sua época". Vê a ação humana como derivação do sujeito imerso em um determinado tempo, geografia, sociedade, e cultura com limitados mecanismos para efetuar tal ação. No centro da aproximação sociocultural estaria a tensão inata entre agentes e ferramentas culturais. A mediação do professor deveria ser feita de forma mais interativa, como os debates freirianos por exemplo ou o uso efetivo de aulas experimentais, onde os estudantes tivessem mais acesso a mecanismos científicos laboratoriais para um aprendizado elaborado e construído pela prática em vez de somente teoria solta e ineficaz.

  • IMPORTÂNCIA DA AVALIAÇÃO NO PROCESSO DE ENSINO-APRENDIZAGEM: PONTOS POSITIVOS E NEGATIVOS:
 Pontos negativos:

1- Segundo Luckesi a prova não dá ao estudante a chance de mostrar seu real desenvolvimento por ser uma coisa quantitativa eventual tangível.

2- O sistema público exige questões que respondam umas às outras e objetivas, perdendo-se aí a oportunidade de criar subsídios para a evolução discursiva e privando o estudante de raciocínio cognitivo analítico mais aprofundado. Assim, o sistema emburrece o cidadão.

3- O sistema avaliativo, da escola ao vestibular, inclusive ENEM, sujeitam os estudantes a uma pressão mental decoreba desnecessária que mata neurônios e não garante futuros profissionais empenhados e de qualidade nem criam engajamento nesse cada um por si.

Pontos Positivos:

1- O ideal é que o sistema avaliativo seja acoplado com outras notas além das provas, como comportamento, participação, trabalhos complementares e principalmente exercícios e cópia à mão de preferência com questões subjetivas para que os estudantes evoluam o seu poder dissertativo, de síntese e de análise mesmo que no fim a nota seja uma só é importante o professor realizar essa triagem de modo a se aproximar de uma percepção real da evolução dos estudantes e se entenda como um mediador entre os estudantes e o conhecimento. Se feito isso, será um aspecto positivo, mas o sistema pressiona para que não seja.

Atividade 2

1º Observando o ambiente escolar como você proporia a relação entre escola e família?

Aproximação entre escola e família, isso poderia se dar pela criação engajada de movimentos escolares em que a história local fosse estudada por todos. Os pais, por exemplo, poderiam ser agentes históricos como sujeitos-testemunhas da História e poderiam propor alternativas sociais que acham que seja dever da escola em debates coletivos

Também deveriam vez por outra ser convidados a assistir algumas aulas para lembrar e ter consciência de como funciona a sala de aula e poderem ver de perto as mudanças e permanências de métodos de ensino do sistema e de cada professor. 

Enfim, a interação deveria ser constante em fluxo de grande escala

2º Comentar a importância do gestor escolar na condução dos problemas no ambiente escolar

A importância do gestor é crucial no enfrentamento dos conflitos internos mas este muitas vezes também cria problemas e agrava os existentes, abusando do poder de coação ou mesmo até coagido pelas secretarias em um jogo de gato e rato onde quem perde mais sempre é o estudante.

A coisa ainda anda muito restrita ao cabresto marionetizado embebido em uma tal "liberdade" coagida por parâmetros programáticos feitos nas coxas e que nunca cabem no cronograma onde as escolas sempre têm que fazer seus malabarismos educacionais vigentes para conduzir o andar carruagem, passando vez por outra "o carro na frente dos bois".

Mesmo assim, dentro desse círculo pragmático vicioso envolto ao ciclo do circo onde somos todos palhaços, no intervalo da ribalta o gestor pode criar projetos ou aprimorar os existentes se ganhar a confiança de seu núcleo gestor que por sua vez precisa ser cativante com os discentes para que  da interação resulte uma maneira harmônica de trilhar novos caminhos, quebrando antigos parâmetros e criando novos para que o sistema educacional esteja a cada dia um pouco menos aquém do ideal.

  • VISÃO EDUCACIONAL DE VIGOTSKY

Para Vygotsky mediador é "(...) quem ajuda a criança a concretizar um desenvolvimento que ela ainda não atinge sozinha. Na escola, o professor e os colegas mais experientes são os principais mediadores."

"Ferramentas psicológicas são formações artificiais. Por sua natureza elas são sociais, não orgânicas ou individuais. elas são dirigidas para o domínio ou controle dos processos comportamentais_ dos outros e de si próprio_como os meios técnicos são dirigidos para o controle dos processos da natureza.

Podem servir como exemplo de ferramentas psicológicas e seus complexos sistemas: linguagem; vários sistemas de contagem; (...)"

"Na apropriação dos mediadores culturais está a essência do processo de desenvolvimento psíquico. Isto porque, as atividades mentais e formais de pensamento se objetivam em forma de conhecimentos sistematizados_ 'linguagem; vários sistemas de contagem; técnicas técnicas mnemônicas; sistemas de símbolos algébricos; obras de arte; escrita, esquemas, diagramas, mapas e desenhos mecânicos; todo tipo de sinais convencionais"

O mais interessante em Vygotsky é essa questão da mediação em vez da detenção do conhecimento e por isso ele inspira outros pensadores. O mediador deve conduzir o estudante aonde ele não poderia ir sozinho, levá-lo além, por isso é preciso se estreitar a zona de desenvolvimento proximal onde o desenvolvimento é a parte principal da educação.
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Trabalho de Pós-Graduação em Gestão Escolar no ano de 2016

quinta-feira, 5 de abril de 2018

COMO AVALIAR O PROFESSOR DO ENSINO MÉDIO DO SÉCULO XXI DE MODO SATISFATÓRIO PARA QUE HAJA UMA ELEVAÇÃO DO ENSINO NO BRASIL: QUALIDADE DE ENSINO E AVALIAÇÃO INSTITUCIONAL

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COMO AVALIAR O PROFESSOR DO ENSINO MÉDIO DO SÉCULO XXI DE MODO SATISFATÓRIO PARA QUE HAJA UMA ELEVAÇÃO DO ENSINO NO BRASIL: QUALIDADE DE ENSINO E AVALIAÇÃO INSTITUCIONAL 

José Aroldo Gonzaga Arruda Filho 
Historiador Pós-Graduado em Gestão Escolar
Ceará, maio de 2016

RESUMO:

O presente artigo tem por objetivo apresentar reflexões sobre a avaliação de professores como um mecanismo para a melhoria da qualidade educacional no ensino brasileiro. Para tanto, foi realizada uma pesquisa com artigos sobre a avaliação docente em apostilas com coletâneas de artigos assim como pesquisa em documentos online.

PALAVRAS CHAVE: qualidade do ensino no Brasil, avaliação do professor, ensino fundamental, gestão escolar, formação de professores, tecnologia, dependência tecnológica, criatividade, zona proximal, mediação.

ABSTRACT:

Este artículo tiene como objetivo presentar reflexiones sobre la evaluación de los maestros como un mecanismo para mejorar la calidad de la educación en la educación brasileña. Para esto, se realizó una encuesta con los artículos sobre la enseñanza de la evaluación en los folletos con las colecciones de documentos, así como la investigación en línea.

PALABRAS CLAVE: calidad de la educación en Brasil, la evaluación del profesor, escuela primaria, la gestión escolar, la formación del profesorado, la tecnología, la dependencia tecnológica, la creatividad, el sentido proximal, la mediación.

INTRODUÇÃO:

Como a gestão escolar pode interferir no ensino-aprendizagem para que o ensino fundamental melhore de qualidade no Brasil do século XXI? Um dos principais modos propostos há tempos é avaliar o professor; mas como avaliar o professor de ensino médio do século XXI de modo satisfatório para que haja uma elevação da qualidade de ensino no Brasil?

Será que o professor gosta de ser avaliado? Será que a gestão de cada escola no Brasil sabe avaliar bem? Será que avaliar o professor dá resultado? A melhoria da qualidade de ensino depende apenas do esforço docente ou seria essa uma questão bem mais ampla que envolva o Estado, a sociedade em geral e a própria família do educando?

Será que faltam políticas públicas para a melhoria do ensino no Brasil? O professor se sente motivado a melhorar? Existe incentivo? Avaliar professor constantemente pode atrapalhar o seu trabalho ou simplesmente o ajuda a melhorar? Como deve se dar essa dinâmica escolar? Até que ponto a gestão pode ou sabe mediar o processo educacional com êxito na elevação da qualidade do ensino?

O PROFESSOR GOSTA DE SER AVALIADO? AUTOAVALIAÇÃO E FEED CONTÍNUO

Algumas escolas adotaram o feed contínuo e o processo de autoavaliação, e, ao que tudo indica, vem dando resultado, quando bem aplicado, mas existem muitas outras formas de avaliar e existem escolas que simplesmente não avaliam ou deixam a avaliação por conta ou só dos estudantes ou só por conta do diretor ou somente nas mãos dos coordenadores, diferente da diretora Elaine Marini, do Colégio da Polícia Militar, na zona leste da cidade de São Paulo, que caminha constantemente pelos corredores observando sempre o que acontece em cada sala de aula, cumprindo o que diz a LBD em seu artigo 12.

Lei de Diretrizes e Bases LDB em seu artigo 12 diz que: “é do estabelecimento de ensino o dever de administrar seu pessoal e zelar pelo cumprimento do plano de trabalho de cada docente, respeitando as normas comuns e as do seu sistema de ensino”.

Segundo Camila Ploennes, “professores acreditam que ter seu trabalho examinado é fundamental, desde que a avaliação seja processual e leve em conta diversas perspectivas”.

"Todo docente é muito crítico em relação a seu próprio trabalho,porque você tem o retorno imediato do educando. Se a aula não rendeu, você vai saber na hora",Arno Aloisio Goettems, professor de geografia.

A professora de Biologia, Viviane Linguitte Gadotti, do Colégio da Polícia Militar, na zona leste da cidade de São Paulo diz o seguinte: "vou para casa, pesquiso dinâmicas diferentes, formulo atividades e gosto que os superiores conheçam meu trabalho. Isso não acontece na escola pública, onde sou avaliada mais pelo desempenho dos estudantes".

Relato da professora Suelen Girotti do Prado, docente de Geografia e Filosofia dos ensinos fundamental e médio no Colégio Horizontes Uirapuru, na zona oeste de São Paulo: "Em 2009, eu me desliguei da rede pública, em que a avaliação do profissional é abandonada""No geral a cobrança é muito mais em relação à pontualidade, por exemplo, do que pensando na melhoria da relação ensino-aprendizagem". "Trabalhei em outros colégios privados e em um deles não havia qualquer olhar de fora sobre o meu desempenho. Era só a resposta dos alunos, que elogiavam quando gostavam e reclamavam quando não gostavam".

A diretora Gabriela Lian Branco Martins, também da escola Horizontes Uirapuru, na zona oeste de São Paulo, adota a observação de aulas como fonte de subsídios para as reuniões, duas reuniões individuais por mês, com cada um dos 31 docentes.  Também usa os cursos de aperfeiçoamento feitos pelos professores e leituras realizadas por eles durante o ano, comprovadas por meio de textos analíticos como meios formais de avaliar na instituição, e garante: "Na orientação pedagógica, há verificação do planejamento, do material trabalhado, se o professor traz novas ideias, o que ele fez diante de uma prova em que o grupo foi mal. Na orientação educacional, fala-se sobre cada aluno, suas dificuldades e o que o docente está fazendo em termos de recuperação, tanto do aproveitamento quanto do comportamento",

A diretora Elenice Lobo, do Colégio Santo Américo, localizado no bairro do Morumbi, na zona sul de São Paulo, usa a linha de pensamento de feedbacks contínuos.  Em sua escola, a partir do ensino fundamental II, o processo é acompanhado por coordenadores pedagógicos e supervisores de cada disciplina. Nas séries iniciais, o trabalho de avaliar é concentrado no coordenador pedagógico: "Como a partir do ensino fundamental 2 o docente já possui licenciatura em uma área específica, existe a figura desse chefe da disciplina", explica. E continua: "Gravamos pela condução da aula em si. A gravação é discutida entre os professores de cada área depois, que opinam sobre o que foi bom e o que poderia ser melhor. Fazemos no sentido de troca de ideias". "Esse sistema nos ajuda a buscar a melhoria não só da técnica, mas essencialmente da dinâmica em sala", conclui professora de química Claudia Aires, do Colégio Santo Américo.

Sobre os vários processos avaliativos, que foram mudando ao longo dos anos, na Escola Estadual Presidente Costa e Silva, de ensino fundamental, a diretora Adriana Aguiar afirma: "Temos tudo por escrito, porque isso dá segurança ao professor e torna o sistema transparente, mas o trabalho não para no papel. Conversar é fundamental para mostrar que a crítica faz parte de um processo de colaboração consolidado e natural". Esta escola fica a 1.560 quilômetros de São Paulo fica a cidade de Gurupi, no Estado do Tocantins, e é vencedora do Prêmio Gestão Escolar 2011. "Depois de confrontar como o docente se enxergava com o desempenho dos estudantes nas avaliações internas, nós conversávamos com cada profissional para analisar juntos qual era a sua parcela de responsabilidade nos resultados, o que estava errado, o que estava fazendo certo e como poderia melhorar", explica a diretora. E conclui: "A função da avaliação não deve ser a de fiscalizar e punir, mas de contribuir para que o professor vá melhorando suas práticas conforme ganha experiência em sala de aula".

A NOTA DADA PELOS EDUCANDOS

A professora Maria da Paz Araújo Cavalcante, da Escola Estadual Presidente Costa e Silva, afirma: "Os alunos também nos avaliam e se eu não dou uma aula criativa, eles vão dizer".

O professor de Geografia Arno Aloisio Goettems, do Colégio Santo Américo, de São Paulo, afirma: "Todo docente é muito crítico em relação a seu próprio trabalho, porque você tem o retorno imediato do educando. Se a aula não rendeu, você vai saber na hora".

No Colégio da Polícia Militar, existe a figura do líder de salaeleito por cada turma que agrupa as impressões dos demais estudantes sobre os docentes e se reúne com a coordenadora pedagógica uma vez por mês. Depois, a direção e a coordenação conversam com os professores sobre essas impressões. "Essa conversa é positiva, porque agrupa os comentários dos alunos que nós não teríamos por outro meio", aponta a professora Viviane Gadotti.

Outro modelo de avaliação no mesmo colégio é um questionário anual. O estudante dá uma nota de desempenho para cada professor sobre vários critérios. No entanto, isoladamente isso é inútil porque existe obviamente uma bela oportunidade de vingança. "Se a avaliação do aluno não tem qualquer semelhança com aquela feita pela equipe da escola, descartamos", admite a diretora Elaine Marini.

"Se existe um incidente entre aluno e professor, ouvimos os dois e tentamos solucionar a situação específica. Entrar nas turmas e aplicar questionário para avaliar professor não parece razoável", opina Elenice Lobo, diretora do Santo Américo, discordando dos questionários preenchidos pelos estudantes. "Se existe um incidente entre aluno e professor, ouvimos os dois e tentamos solucionar a situação específicaEntrar nas turmas e aplicar questionário para avaliar professor não parece razoável", conclui.

O diretor Silvio Freire desistiu da apuração dos resultados no questionário anual:_ "Não tive condições de tabular todas essas informações e dar o feedback antes do fim do ano letivo. São vários itens sobre vários docentes. É preciso um sistema para fazer esse trabalho". Em vez disso, ele teve a ideia de convidar ex-alunos para conversar sobre o curso oferecido pela escola e foi surpreendido pelas análises detalhadas, como exemplifica a seguir: "Um deles me disse que determinado professor de biologia é bom ensinando zoologia, mas não é tão didático quando o assunto é genética, que em compensação é um tema muito bem explicado por outro professor nosso".

AVALIAÇÃO POR TRIANGULAÇÃO

“Diversos países têm discutido de maneira intensa o tema da avaliação docente. Para todos, ainda há uma pergunta sem resposta: como desenvolver uma medida justa do desempenho desse profissional?”. (Paulo de Camargo, integrante da redação da Revista Educação”).

"É um tema que está sendo proposto em todo o mundo. Se entendemos que o docente é um profissional, precisamos admitir que existem características que definem uma profissão, o que inclui a formação inicial, as regulamentações e também a avaliação" (Denise Vaillant, pesquisadora da Universidade do Uruguai e presidente do Comitê Científico do Observatório Internacional da Profissão Docente, com sede na Universidade de Barcelona, na Espanha.)

"A avaliação não deve ser contra o professor, mas uma maneira de contribuir para a melhoria de seu trabalho" (Tadeu da Ponteespecialista em avaliação do Instituto Primeira Escolha). Tadeu aponta que no caso de professores avaliados por alunos, há sempre o perigo da má avaliação porque os que se dão com determinado professor o avaliarão mal, enquanto os que se dão bem tenderão a avaliá-lo como bom, e, então, a questão emocional comprometerá piamente a verdade na maioria dos casos, o que resultará numa experiência de acareação de dados inverídicos.

Sobre as provas de conhecimento, em que se leva em conta a premissa de que “que o professor deve saber o que ensina e estar a par dos fundamentos teóricos que embasam sua profissão”, reflete Francisco Soares, professor do programa de pós-graduação em Educação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), coordenador do Grupo de Avaliação e Medidas Educacionais [Game] na mesma universidade e uma das principais referências brasileiras no tema"Avaliar implica, também, discutir os critérios que caracterizam um bom professor".

Outro modo de avaliar o professor é avaliar o rendimento dos estudantes nas provas, mas seria esse por si só um método justo, sem levar em conta “fatores de influência pertencem às escolas, à estrutura, às condições de trabalho e, finalmente, às competências docentes”? “Como distinguir entre o resultado do trabalho de um professor que atua em uma escola de classe média em cidades ricas do interior daquele realizado por professores nas periferias, nas quais os contextos sociais pesam mais do que o talento ou o empenho em ensinar?”.


"A avaliação de rendimento dos alunos examina ao mesmo tempo o trabalho do governo federal, das secretarias de Educação, dos diretores e, por fim, dos professores. Há toda uma linha de responsabilidades descumpridas" (Cipriano Luckesi, doutor pela Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP) e autor de livros sobre o tema).

Segundo
 Denise Vaillant, as experiências de avaliação docentes mais bem-sucedidas fazem uma "triangulação""Em alguns países, se combinam processos de autoavaliação, com avaliação dos pares, com um portfólio de suas atividades que o próprio professor prepara para avaliadores externos".


“Segundo estudo elaborado por Denise Vaillant, muitos dos obstáculos às propostas de avaliação docente são gerados quando ganham contornos de dispositivos de controle ou quando o avaliador é um agente externo sem legitimidade para a categoria. Provocam resistência também a percepção de que o discurso político sobre o tema se choca com a realidade vivida pelos professores e quando os critérios avaliados são contraditórios em relação àqueles utilizados na contratação dos docentes. Por fim, no plano conceitual, geram reação as aferições que desconsideram o contexto vivido pelo professor ou que levam em conta apenas aspectos cognitivos.”


“De outro lado, diz a pesquisadora, as propostas que avançam no cenário contemporâneo têm características diametralmente opostas: buscam uma abordagem mais sistêmica, promovem a participação e o envolvimento dos atores implicados, respeitam o trabalho docente e têm como pano de fundo processos de melhoria do sistema educativo, com redes de apoio ao trabalho do professor. Essa perspectiva da avaliação se opõe, por exemplo, às que estão focadas unicamente na remuneração. "Ao invés de pagar pelos resultados, a avaliação pode identificar as necessidades de formação dos professores e apoiá-los", sugere a pesquisadora Margarita Zorrilla, doutora em educação e diretora do Instituto Nacional para a Avaliação de Educação, no México.

CONCLUSÃO:

Concluímos que desde que todos sejam avaliados, o professor gosta sim de ser avaliado, com um peso e uma medida, o que nem sempre é feito, e que em vez de adotar uma medida punitiva, deve-se fazer um feedback contínuo com os professores a fim de contribuir com eles na medida em que ganham experiência, não exigindo deles além do que podem dar, que é o que geralmente é feito, frustrando esses profissionais tão fundamentais na educação de um país e ao mesmo tempo tão proporcionalmente desvalorizados. Muitas vezes a visão é unilateral, então, que se abra os caleidoscópios da multilateralidade na construção de uma dialética cada vez mais intensiva para que um dia a educação brasileira ainda seja a melhor, ou pelo menos figurar de fato entre as melhores do mundo. Porque sem uma educação de nível extremamente elevado é muito provável que este país só retroceda; e não é isso o que queremos.

Fontes:

GAME/FAE/UFMG e Fundação Vitor Civita; A AVALIAÇÃO EXTERNA COMO INSTRUMENTO DA GESTÃO EDUCACIONAL NOS ESTADOS, 2011.

Brasil. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Pradime : Programa de Apoio aos Dirigentes Municipais de Educação / Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. – Brasília, DF : Ministério da Educação, 2006.


OSTERMAN, Fernando. CAVALCANTI, Cláudio José Holanda. Desenvolvimento da criança e do jovem: teorias científicas e práticas sobre aprendizagem.

SFORNI, Marta Sueli de Faria. Aprendizagem e desenvolvimento: o papel da mediação.

ARAÚJO, Víviam Carvalho de. ARAÚJO, Rita de Cássia B.F.. SCHEFFER, Ana Maria Moraes. Discutindo aprendizagem e desenvolvimento da criança à luz do referencial histórico-cultural.

LIMEIRA, Luciana Cordeiro. Avaliação institucional na escola pública brasileira: mecanismos contraditórios e complementares na educação.

BRANDALISE, Mary Ângela Teixeira. Avaliação institucional da escola: conceitos, contextos e práticas.

MALAVASI, Maria Márcia Sigrist. Avaliação institucional de qualidade potencializada pela participação dos vários segmentos da escola.

TAHIM, Ana Paula Vasconcelos de Oliveira. ALVES, Liduína Lopes. LIMA, Marcos Antônio Martins. A gestão escolar e a avaliação institucional: observações, segundo os diretores municipais de fortaleza-CE.

GROCHOSkA, Márcia Andréia. EYNG, Ana Maria.
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Trabalho de Pós-Graduação em Gestão Escolar no ano de 2016.

sábado, 31 de março de 2018

GESTÃO DEMOCRÁTICA DA EDUCAÇÃO


José Aroldo Gonzaga Arruda Filho 
Historiador Pós-Graduado em Gestão Escolar

É preciso quebrar com o padrão para que a escola não falhe mais em sua função principal, que é educar a todos; realidade que o capitalismo impede que mude, uma vez que por trás da escola estão entranhados interesses das classes dominantes em detrimento dos dominados.

A escola visa mudar a sociedade, mas para tanto, é preciso antes mudar ela mesma; entendendo a si mesma a si mesma não como detentora do conhecimento mas como um local de conteúdos curriculares programáticos para que as informações sejam usadas de forma a dar um bom direcionamento na vida do educando. Não apenas o professor que é um mediador, mas a própria escola o é.

O diretor, por sua vez, não pode ser um fim em si mesmo mas uma espécie de bússola de orientação, um gestor que usa a descentralização de poder para quebrar paradigmas e construir melhores modelos de educação, quebrando os engessamentos burocráticos para atingir tal objetivo.

É necessário humanizar mais do que usar o tecnicismo, ter uma visão de contato geral, e nada melhor para isso do que desenvolver o constante diálogo e em seguida transformar discursos em novas práticas de ensino-aprendizagem.

Os padrões antigos devem ser quebrados, inclusive na busca pela inclusão dos diferentes, a fim de eliminar preconceitos dentro do campo escolar.

transversalidade disciplinar também deve entrar em jogo; por exemplo, História acrescentando no currículo a história de Bimba enquanto na Educação Física os estudantes aprendem capoeira e a dançar e tocar samba nas aulas de Artes e em Geografia fazer visitas a museus, na Aritmética, na construção dos prédios e os cálculos de Pitágoras na escala harmônica musical.

A importância da gestão escolar democrática como princípio para a garantia da aprendizagem escolar se manifesta principalmente na promoção do constante diálogo em todos os setores da escola, de modo que a participação seja de todos os agentes com voz e liberdade para propor juntos inovações nos métodos e alterações nos projetos de modo que aja um esforço vivaz com empenho mútuo a fim de atingir uma meta em comum, que é melhorar a educação.

Um outro exemplo de inovação seria nas aulas de Informática ensinar os educandos a criar os próprios blogs e ensiná-los posteriormente a criar entre si uma rede de siteslinkando os blogs uns dos outros, a convidar os colegas a escrever nos blogs uns dos outros, e, para tanto, é preciso antes ensiná-los a criar os próprio e-mails.

Acima de tudo, seria importante promover intercâmbio cultural pelo menos com alguma escola vizinha com a criação de gincanas, grupo de teatro amador, jogos educativos ou inúmeras outras atividades culturais onde os educandos troquem experiências ou construam juntos novos conhecimentos que mais tarde serão úteis fora do espaço escolar.
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Trabalho de Pós-Graduação em Gestão Escolar no ano de 2016